Escrito por porque escrever é preciso às 16h07
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De volta (?!)

É com muita admiração e alegria que venho anunciar meu texto publicado na revista S/Nº, editada por Bob Wolfenson e Helio Hara. A mesma pode ser encontrada - para deleites vários, sem dúvida - na FNAC, em SP.
Acima então a capa da revista, bela, bela, e o escrito logo abaixo...
bezzos & abraços...
Lágrimas não envelhecem
Parece que foi numa dessas noites agudas e sedentas de suor na língua. Gotejar para umedecer o deserto, sim, banhar-se em águas renascentes, lançar-se à natureza – em busca - e expelir o mofo envolto em esperanças. Porque a memória veste o hábito de recordar o que nem sabia perceber, de repente engasga em cada lembrança. Na sala, na feira, aos tropeços nos cantos ou em meio aos bichos soltos da cidade em eterna re-construção.
Ela se apaixona pela espontaneidade no dom de chorar o gosto de mundo novo. De tão singulares que podemos ser, o pranto é só nosso nas impressões invisíveis. Então pra quê mirar-se em espelhos quando o de dentro não cria reflexos? Porque temos apetite de sonhos, que acabasse o pranto de guerras e sangue - balbuciou.
Ao mesmo tempo confusões, trapaças em horários amalucados, estações de metrô erradas, jornais em hemorragia e as coisas caindo sobre as coisas por onde se segue. Ao fundo das miragens há Caravaggio, a cavalaria napoleônica, o Tema de Lara, e talvez algum esquecimento oportuno. Como também ácidos néons, buzinas, britadeiras, motores, gente sofrendo, suando. Gente que ocupa os sentimentos da gente, ora regozijo ou cansaço depois de longa espera, ora assombro feito a Medusa com serpentes à cabeça.
Sem censura, confessa que o amor é contrário ao pudor - sua sobrevivência é obscena em solo de pragas. A dialética diria: o amor se veste de si em sentidos acesos, pleno, e depois se converte no desconhecido. Seria agridoce a angústia? E lágrimas, mares ou rios incidentes? Ela procura sentir o paladar dos sentimentos, e acha que no tempo em que tudo tiver nomes haverá mais receitas para se chorar, imagina.
Embora culpas, reclamos e bobagens tenham uma febre de linguagem que pinça as retinas, interessa-lhe a pele, tatear as cicatrizes, ousar risos desgovernados, recostar lábios sobre lábios. Então aperta os olhos, inventa, aquieta na beira da praia para ver o mar beijar os lábios da terra e lamenta o pranto silente. Gotas que não verte à toa.
Por isso às vezes endurece para não cair como a penitente Madalena, abandonada na cadeira, desalinhada, colares de pérolas ao chão e um líquido incerto aos pés. E nos íntimos segredos, sem mais veneno, percorre serenidades. Porém, quanto de insanidade ou lucidez nos cabe? Não saberia desfazer o enigma ou os movimentos místicos, pois sempre existe o que nos ultrapassa.
A questão é que ela anda a precisar do gosto das lágrimas, nem que seja um doce choramingo. Jura que guardará o próximo chorinho dentro de um vidro, em cristal de emoções, só pra degustar em horas assim. De lavar a alma, de saudade das mãos enlaçadas, do olhar repousado, do cheiro do corpo na boca de quem se enreda no sal da terra, 'pra vida de gente levar...'.
Palena Duran
Escrito por porque escrever é preciso às 18h51
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