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Dois cigarros
Um de pensar
No outro te fumar
Não tinha tanto calor. Quando ele chegou. Segui como se segue ultimamente, meio caindo, meio levantando. À procura de descanso e algum dinheiro pra viver. Quando ele chegou amoroso. Comigo algo diferente, sabe, segredos e vontades em desejos menos afoitos, embora amar de amor seja a meta, inquieta meta. Quero subverter as vírgulas, cambiar as pausas, trazer água onde já se banha, cantar de ser, ser, ser.
Por que agora sinto tamanha falta dele nos fragmentos do corpo? Ocupo-me de ontem, nosso jeito, nossas confusões, certezas, vôos... Chego ao tabuleiro de xadrez entre nós, ‘se você me ama, se concentra’, olhamo-nos, paqueramo-nos, brincamos, conversamos... Ah, se o mundo parasse seria nessa janela! O que ele fez em mim de alguns dias pra cá? Ou teria sido eu também a escancarar todos os espaços? Sim, gosto dele, tanto que tenho coisas espremidas em mim. Saudade é dessemelhante.
Pra brincar um pouco com ela e me esparramar sem dor neste silêncio da casa, resolvi beber água tônica num copo enorme de chope... mas não consigo sair dessa compressão dos afetos. ‘Só queria estar com você e dormir mais em você’. Tentei dançar no banho, cantar e relaxar disso em aquilo. Lembrar e esquecer e sonhar sem dor. Mas fui ferida e agraciada nesta hora de amar. Gosto de te saber por perto, nem precisa ser comigo, mas preciso cheirar teu sabor nas redondezas. E acho que te pressinto, assisto teu andar de sorriso e seriedade na flauta, na falta. Imagino tuas mãos, escuto tua voz na minha boca, vejo teus olhos no meu ontem. Ado(u)ro-nos juntos, quero-te.
Escrito por porque escrever é preciso às 17h56
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