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Ela chovia
07-12-2006

* To Sylvia Plath

Ela confundiu as palavras com o autor. Um caso de amor. Por ele, finalmente, aterrissar, aterrar. Ele e as palavras. Ele, palavras vivas. Quis ser braço de seus braços, água em sua vida. Mais que além – ele. Para sempre as palavras. De viver, morder, comer, sugar, lamber. Dormir com as palavras. Fazer filhos nele – nelas – palavras. E dela o gozo imaginário de ser a metade dele, delas. O que lhe faltava, sua metade – nele – nelas. As palavras que ele continha. As palavras que ela lhe rendia. As palavras que arrancava à força da voz na presença dele. Voz de escrever, voz de medo, voz na metade dela. Confundia-o com o poema vital. A necessidade básica. Dela contida nele.

continua em http://www.geracaobooks.com.br/colunistas/colunista.php?id=173 



Escrito por porque escrever é preciso às 12h50
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arte _ Bia Clark

 

Coluna SEM INOCÊNCIA - às quintas-feiras 

Miragens

 

E agora que nem eu em mim sabia disso? Passos perpassam, meus pés pisam forte sobre a cabeça, n-u-n-c-a é apenas palavra. E sempre no meu sempre o encanto do intocável, o plano que não se vê. O etéreo inominado. É assim às noites para sorver os dias. Falta algo? Deixou de tocar os sentidos? Troque a fechadura, escancare as janelas, cante o seguinte, jogue-se, mergulhe no substantivo feminino. Tanto faz a língua da emoção, ou melhor, faz tanto e mais, mas pouco importa se em francês ou espanhol. A gente se inventa, brinca de rodar o globo nos pontos sensíveis, caça os nomes das coisas, e sentido se faz. Assim, de repente afetos e molejo, alterações respiratórias e circulatórias. Em hora desavisada, sem placas de depois, a tal ou qual hora não se passa o ponto. Viver no limite do limite ao limite, esse se lançar como se n-u-n-c-a fosse apenas as letras que são.

Ojalá que las hojas no te toquen el cuerpo cuando caigan, para que no las puedas convertir en cristal...Ojalá que la luna pueda salir sin ti…

 

a continuação em http://banga.zip.net 



Escrito por porque escrever é preciso às 13h56
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Photo Eliana Castanho

lloras tintas chamuscadas

al aire

del oscuro caminar

en ráfagas de fuego y rugidos.

 

veo lo que viene

ahí cortan el negro cielo

sobre espejos de mar.

 

el silencio se va contigo

tómame, corazón

llévame por hojas

así en canto

de verde marear.

Porque hoje parece sábado escondi os relógios e deixei as malas na porta. Ora vou ora vôo. Ninguém me tira desse desprendimento. Tenho um beijo guardado no fundo da prateleira, entre os livros que mais gosto, e de lá me espreita certa saudade. Por vezes há mãos a deslizarem minhas costas, arrepio na nuca, nem sei. Olho pra ter certeza de que não é alguém, mas apenas a sensação do que vem. Voa vaivém. Retorno no choro da manhã sem porquê, não há ninguém aqui dentro e caem lágrimas sobre a janela também. Deve ser verdade o espanto na delicadeza, navegar sem lembrar da falta que causa. Ressinto.

Porque tudo parou de repente, preparo-me café e pão amanhecido de manteiga. Sem mel na viagem. O arrependimento é um sentimento tardio. E na madrugada diurna entre sombras o desgastado coração aos solavancos. Róseos sentimentos nas flores da sala. Rego a manhã sem depois nesse hoje constante. Pulsam atropelos doidos de desejos e narinas em pó. Vou sem dizer tudo que tenho comigo, ainda não é a hora. Agarro-me à pele de um guerreiro sem passado, como se nunca tivesse sentido. Lá fora a árvore descabelada ao vento molhado de céu suado no louco esforço da natureza. E faíscas fulgurantes depois trovejam. A terra se abre na boca de uma cratera em lodo, lama, e unhas feitas de raízes rasgam nossos corpos, chicoteiam nossa passagem.

Dezembro de vidros cortados. É imprescindível viver no inconsciente, cruzar a barreira do som, amortecer nas pernas bambas. Você sabe que com os olhos fechados toco as notas do universo? Que se derrame a imprecisão do certo em lótus, lírios e papoulas. Na estrada de areia subo montanhas, quero ir apenas para não chegar. Flutuar no espaço, plantar libélulas no jardim, moldar fantasias. Cada mínimo gesto um lançamento astronáutico no ser-tão.



Escrito por porque escrever é preciso às 22h41
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Arte _ Bia Clark

Vem bangar mais nóis!

clique aqui no http://banga.zip.net 



Escrito por porque escrever é preciso às 00h42
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Quando despontas... Nem sei porque tanto medo me deixa abafado e nem vejo tua presença voltando-me o olhar ou teu corpo entregue em minha cama. Nem sei porque tuas palavras entram e saem como se nada, desconfio, figuras de linguagem, e imagino que me enganas mesmo a lacrimejar verdades. Nem sei porque me deixo fraco e raivoso quando inseguro e mais triste me deito comigo distante do que planejava. Nem sei porque me assombras dessa maneira, eu que não sou disso, e forte sou sozinho sem descontroles apaixonados. Nem sei porque permito fragilidade assim na falta de ar no peito, quando não choro faz anos, e nem deveria ter tempo para sonhar de ti. Nem sei porque tanto me incomodam tuas idas e vindas, teus passeios solitários ou entre amigos de toda natureza, quando desejo estar livre para gozar a vida que espero virgem de ti. Nem sei porque você me deixa enciumado deste jeito, mas não quero ser prisioneiro das miragens ou dono de meias alegrias porque não correspondes às metas ideais de agora. Nem sei porque te gosto tanto ao mesmo tempo em que temo sentir mais do que devo, eu que tenho medidas e convicções para os sentimentos em equilíbrio. Nem sei como sinto tua falta no mesmo instante que te quero o mais longe possível pra me edificar, porque me desestruturas e não aceito, porque me feres e não entendo, porque te afastas das minhas maneiras. Nem sei como dizer vai embora antes que seja tarde quando peço que fiques e sigo magoado te amando calado sem conseguir dizer tudo o que na boca encerra. Nem sei como dizer seja minha, somente minha, quando tua presença é vida e não alcanço porque... Nem sei como fazer ainda mais amor contigo quando percebo estar em ti um pedaço desavisado de mim.



Escrito por porque escrever é preciso às 08h35
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