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CARDÁPIO
molho nos olhos a língua de te beber
é preciso desejar pra te sorver
devagar,
de vagar
e então te salgar,
com tempo temperar...
agora sim, baby, a doce hora de provar;
pode mordiscar, mas lembre-se:
comer também é divagar...
Escrito por porque escrever é preciso às 18h00
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Histórias do longo tempo 17-11-2006
Mira que mágico, o passado nos visita. Daqui se viu uma nesga de sol que agora já é ido. Do outro lado da calçada, a luz vibrante sobre um muro carcomido e logo à frente uma casa de porta envelhecida. Cor verde água descascada, parede manchada e folhetos de propaganda amassados, presos à grade da pequena janelinha no centro da porta. Por ali se via quem estava a bater palmas ou soar a campainha, acho até que escuto o alvoroço de crianças, panelas, mesa posta e conversa. Mas isto antigamente, quando a casa era habitada. São Paulo tem dessas disparidades, casas caindo aos pedaços ao lado de enormes conjuntos de escritório vidrados. Por vezes trazem majestosas colunas ao estilo romano, guerreiro e imponente, como é moda em algumas construções de hoje. Às vezes há bustos na entrada, estatuetas de belas vestais com tochas à mão, ou figuras femininas, seminus idílicos em branco gesso. A antiga figura do herói e o desejo de ser semideus.
Mas agora esse pedaço de rua vive às sete horas da tarde de uma terça-feira. Se tivesse um terço nas mãos, rezaria no rastro dessa calmaria, uma névoa, um caminho. Memórias no horário de verão, ao som da música andina e seus estrondos graves marcados de cantos melódicos... Como cambia el calendario, cambia todo en ese mundo. Segun el favor del viento, me voy, me voy... sea con hambre, con sueño, me voy, me voy. Vôo pelo desfiladeiro das sensações de aqui ter pousado noutros tempos, com amigos, namorados, irmãos, em comemorações, quiçá. Sobre as mesmas mesas forradas de toalhas vermelhas e brancas, panes amasados, dulces, piscos, ponchos araucanos y tanto que me trae recordaciones. Na pele sabores e paisagens que me transportam, discordo de quem diz que o passado é língua morta. Passou no calendário dos dias julinos, dos horários exatos, oficiais na capital, universais. Posto que o tempo é relativo dentro da gente. Por fora a casca, as rugas, o cansaço, tapas e máscaras. E por dentro isso que nos revive, a magia do vivido e do imaginário. Essa suspensão do olhar.
Neste mesmo lugar, numa mesa qualquer, certo dia cheguei acompanhada de meu irmão e um jovem rapaz apaixonado (...).
leia a continuação no site da Geração Editorial
http://www.geracaobooks.com.br/colunistas/colunista.php?id=164
Escrito por porque escrever é preciso às 15h41
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arte de Bia Clark
Coluna SEM INOCÊNCIA - por Palena Duran
Prelúdio
Federico García Lorca
Las alamedas se van,
Pero dejan su reflejo.
Las alamedas se van,
Pero nos dejan el viento.
Pero han dejado flotando
Sobre los ríos, sus ecos.
El mundo de las luciérnagas
Ha invadido mis recuerdos.
Y un corazón diminuto
Me va brotando en los dedos.
Do antigo canto
Hoje é dia de amanhã. Depois das coisas como se mostram neste final de ano, preços crescentes, dias ora frios, ora ardente, atropelamento, fugas, amanhecida. Distraída, ainda agora lia no jornal a respeito da festa de posse do re-presidente, prenúncio de ano novo, lembrei de quando o carro rolls pifou e rolou, bem ao estilo nosso, sendo empurrado por mãos de brasileiros... e aquela ala da velha guarda de uma escola de samba que não pôde entrar na avenida... lembranças latentes.
Tinha planos diferentes dos que vivo hoje, pois então, e amanhã sempre a mesma esperança na presença do amanhã. Soube que o tigre siberiano é o animal mais solitário, além de lindo quando em novas peles, e o que mais gosta é de sexo e comida. Tem filhotes por aí, se a fêmea o aceita in copula, mas não vive junto dos seus, e caminha em busca, agradando-se desse jeito por condição. Seu verde amanhã é outro. Feliz ou infelizmente não trocamos de pelagem no verão, acontece aos belos tigres siberianos, raro, muito raro. Estamos conosco e em nós dos dias às noites, de alma a alma, olhar nos mesmos olhos o reflexo.
leia a continuação em http://banga.zip.net
Escrito por porque escrever é preciso às 11h43
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Sabe o que é?
Você aí do outro lado me deixa agitada, borbulho para te alcançar na caminhada. Quero teu tom nem que desmoronem as hastes das bandeiras, quero ver-te no gramado do dia, no planalto. Porque você me abraçou à distância tatuei um sorriso - em meus seios - teu calor - nas mãos que te escrevem. O violão do teu colo, entre pernas volúpias sussurro de luz.
Quero tua voz pulsando na vida, teu cheiro no ouvido. Quero tuas mãos na queda apavorada de sol se ir. Quero estar contigo no banho, esfregar teus cabelos com muita espuma e maresia pela cintura. Quero a água escorrendo na saliva crente que o dia não pode morrer unicamente na boca e alastramos em nós. Quero saber quando você se lançará comigo bacante, absolutos em quietude reviramos na terra nossas flores. Quero te ver como se fosse a primeira vez em pausa surpreendida. Quero passear no teu parque, brincar de piquenique, no pique te perder para reencontrar, saudade. Quero te massagear quando a vida der de doer, beijar-te no berço enfeitado e ninar nossa fotografia. Quero acordar ao teu lado, alisar teu peito, escutar teus passos livres pela casa. Quero ser história de embalar teu universo, contar que o brilho da lua nos remoça e nas estrelas faremos sonhos. Quero ser colher à vista da tua fome - sede – repousar na língua. Quero revoar no teu escuro, borboletear no teu sorriso, assoprar minhas manias de te reinventar, minha vontade. Trazer-te menino sinal do destino.
Escrito por porque escrever é preciso às 12h31
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art by Bia Clark
... estamos em novo endereço ...
http://www.banga.zip.net
Escrito por porque escrever é preciso às 12h24
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