* Para S.
Certo dia alguém pediu que eu escrevesse algo bonito, comovente, eu que ontem via cinzas na cor dos olhos e espalhei aos quatro ventos meus lamentos sem rimas. Já nem sei das palavras que preciso recolher ao reencontrar S na memória.
Apaixonados exalam presença, conversam em línguas de sinais. Como no Sinai do Egito quando não está em guerra, mas vastidão de agora para amanhã. Quero dizer o brilho na pele dos apaixonados, a enxergar dentro e renascer a cada jogo de imagens sobre o que se afigura.
Então mãos não são apenas mãos nas transparências dos versos e o círculo do poeta realiza planetas. E adorava quando nos beijávamos e ele me abraçava apertando cintura com cintura. Mais que espasmos sucessivos de ‘morde, vem’, desejar sugando bocas para não secar a vontade. Magros de sono, apaixonados dormem no esvair das forças. Além da fotografia ou coisas de falar ou dizer. Pois quando fecho os olhos ainda desabo no melhor lugar do mundo... Apaixonar é ganhar pulsação e coragem nos movimentos delicados, entregar alma e recortes. Quando acontece assim meio que fico e me vou, nem sei tempo de outras nuvens.
leia a continuação em
http://www.geracaobooks.com.br/colunistas/colunista.php?id=152
**reedições, colagens, recortes, tempos antigos, hoje.
Escrito por porque escrever é preciso às 11h58
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Ph Felipe Baenninger
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Acordei meio em amor pela atmosfera, o vento frio da manhã alisou os desejos. Antes de a água ferver, música, violão ou trompete. O café está acabando, poucos coadores de papel, já não tem queijo, manteiga, e um fiapo de pão se esconde na geladeira. Mas há o mel que ganhei anteontem. Silvestre, doce, bom com banana.
Sonhei novamente, faz mais de semana que venho sonhando incessantemente, é como se trabalhasse durante a madrugada. Também pensei que lembraria, porque ao despertar no susto é vivo, mas. Sim, era medo. Suava. Combinei comigo que voltaria ao sono sem sobressaltos, dito e feito.
Acordei sem amar alguém, pessoa, esse ou aquele. Sem saudade na ponta dos dedos. Sem remorso no canto dos olhos. Sem mágoa na curva dos lábios. Assim, meio vazia de quereres. Nem quero saber, afinal já fechei a porta. Encontrei o disco de um antigo professor de percussão, Café Jam. Instrumental para permitir o fluxo dos diálogos internos. Ensaiei um movimento na cintura, logo desisti, o bem-estar não quer dizer alegria. Preciso limpar essa cozinha ainda hoje.
Diz o jornal que, depois que o Real se fortaleceu um pouco, recrudesceu o investimento de capital estrangeiro. Claro, as amebas ficam em seu habitat, grunhi. Será que arranco o curso de percussão do currículo? À toa me veio. À toa, porque o currículo não tem trazido nenhuma boa notícia. Já não sei mais o que tirar ou pôr, ou como enfiar. O currículo. Continuo a ver as páginas de emprego, nada. Todo domingo quero ser algo diferente. Enfermeira, almoxarife, estoquista. Nomes com vogal darão mais sorte? Nada. E eu tinha acordado meio amor, passou. Esfriou, a chuva fina irrita.
Semana passada ganhei uma música, Mais que Brasileira, nem soube agradecer direito, e não esqueço. Como se eu não estivesse eu – inteira – para receber presente assim. De Gereba e Tuzé de Abreu, almas doces e amigas. Uma valsinha, como disse Gereba. E eu boba sem dizer o que preencheria a graça recebida, faltam-me palavras. É a eloqüência do vazio. Mas voltarei como se deve, flores e chapéu na mão, a fazer meneios e graças. Gracias a la vida que me ha dado tanto...
Soube que hoje haverá um disparo cósmico e há uma hora especial para se concentrar os pensamentos, sonhos de preferência, porque certas cores de força abrem caminhos. Os raios pulsantes de um **(raio de luz) **ultravioleta (UV) de uma dimensão mais alta no universo cruzará a rota da Terra e a estaremos sob estes raios por 17 horas nesse tempo, neste dia. fluorescente em natura, AZUL / MAGENTA em cor. Bonito de pensar, pinto as unhas de magenta para condensar a sorte. Empacoto e levo para viagem. Suerte que me banhe. Feito chuva cósmica, galáctica, a boiar no espaço.
Mas ainda tem um fogo que me acompanha. Pois é, principalmente por la noche. Gatinhos visitam a sala, miam, ronronam, existe algum aconchego. Às vezes mel. Trabalho no silêncio para recuperar a voz do desejo.
Escrito por porque escrever é preciso às 13h22
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