É tudo um sei lá, ela disse. Voa o tempo, ficam as horas. O bonito homem sentado à sua frente, cúmplice do ganho e do perdido, olhos verdes mojados, consente. Ela quis perguntar sobre o futuro, sua intuição, sabia que havia muito pressentimento. Mas sem coragem. Nem cartas, nem cartomante. Porque também enxergava seu destino na pele dele, morena. Seriam tão iguais quanto diferentes. ‘Está feliz?’ Não conseguiu perguntar. Bem seria o suficiente, qualquer bem ou bom, saído da boca assim, em tarde enluarada na mesa do restaurante mexicano. ‘Está rico el almuerzo, no cierto?’ ‘Sí está, mi hijita, sí’. Impossível negar a vontade de voltar ao tempo para lembrá-lo melhor, ele e a memória. Meio serigrafia em preto & branco, algo rajado de alegria e tons melancólicos. Meio primavera, ele também falava da importância das gentes – o Exílio: ‘À História é tudo relevante’. Ela voa, dispersa e logo aterrissa sobre seus ombros. ‘Vamos juntos, conosco é para sempre’. De mãos dadas, meu colo, teu colo. Hay dias que no sé lo que me pasa...
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