por que é que, então, encontramos tamanho silêncio no chão?
do sangue nos jornais, estranho, bizarro, tudo isso a acontecer.
ontem bela moça chorava no ônibus, incômodo comovente.
pensei que ela era eu e nós.
vi gente arrastando corpos de sua gente.
sem bandeiras ou hinos, da fé vive a esperança.
nenhuma palavra, nenhum gesto, nem redenção.
os abraços se perderam, as mãos se desencontraram.
os sorrisos flutuam, assistimos.
sem remédio inventamos consolação.
e ruas e avenidas e passarelas e.
o peito aberto, um sonho à frente.
a lealdade vencendo traições.
e a verdade pronunciada.
Escrito por porque escrever é preciso às 15h34
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Talvez seja apenas o sol estilhaçando milagres, então tudo silêncio.
Bocas que não sei dizer em palavras ditam o tempo das lembranças reeditadas.
É noite alta.
Pesadelo medra, sussurro-te.
No frio dos panos, veste-me tua presença.
Esse teu jeito nas maneiras do mundo, teu corpo nas ruas, minhas pernas nas tuas.
No café, espalhafato de mãos e jornal molhado.
Que coisa, nem pra equilibrar uma xícara no pires!
Rimos de morder os olhos.
Tchau, bom dia.
Enquanto madrugo teus lábios e arranco pétalas de saudades dia após dia.
Porque tem você no meio de mim, um rio, meu remanso.
Abraço tua sombra na minha chuva, agora.
Canto teu nome na aldeia, em vigília acaricio letra por letra, na pele.
Detrás das portas, no espaldar, tua voz a preencher meus ritmos.
Na estrada peço-te assim, calor em prece.
Descasco músicas à capela, do cerrado às Gerais, envelheço nas montanhas.
Tons esperança.
Então desperto rubi, macia, sorrio-te, eres tu.
Escrito por porque escrever é preciso às 16h17
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Janelas e varandas
Esqueço se não anoto o azul. O farfalhar das cortinas baila fantasias. Não, não é isso. É que minto ser a poesia possível. Bebi o doce pêssego de um gole, sou cubos de açúcar no vidro. Ah, como é enganosa a primeira tarde! Parece até que já vivi assim antes.
Enquanto esperava eles chegarem com seus abraços distantes de ruas distraídas, bocas molhadas, suor e saudade. Mas nem sempre a mesma música ou as mãos pelas quais ansiava. Pulsava a imaginação do encontro que nunca chegava. E eu esperava na cama, na varanda, no sofá da sala, envolta no céu que apenas eu enxergava. Lunática. Do hábito ao cansaço, do riso à angústia regressavam de muitas maneiras, eram morenos de estatura mediana, castanhos altos, cabelos compridos, tom de praia, sei lá. Seus nomes nem sei. Ou sim, e mais nada, ainda que tenham vindo. Ou não, e as letras compõem os melhores cenários.
‘Lindo, eu me sinto enfeitiçada, menino bonito, teu olhar é simplesmente lindo... Mas também não diz mais nada’.
Nas horas despedidas o encontro com esse silêncio pra fora. Nem glória, nem vazio, como mariposa en arrullo adentro longos rasantes e mistérios. Sem sentido. De esperas em chegadas aprendi a dizer adeus, ofereci lábios intuitivos. Não me olhe como se fosse a última vez, sussurro, embora ‘nunca mais’ seja língua morta em manhãs enluaradas como aquela.
Escrito por porque escrever é preciso às 19h14
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