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CULPA OU PUNIÇÃO?
“Oi, vou mandar esta mensagem, mas é pra você cumprir.
Lê baixinho: Jesus, eu te adoro e preciso de ti, vem pra dentro do meu coração agora. Envie para 15 pessoas e terá um milagre essa noite. OBS: não ignore porque terá uma surpresa. Esta mensagem foi enviada por (...)”
Ao abrir esta mensagem eu me senti culpada. Além do pecado original, não tenho Jesus no coração, ó deuses! O que teria agora no coração esta pobre alma amaldiçoada? Justo hoje que precisávamos de sorte, como temos precisado há tempos e, então, fazer o quê? Repassar a mensagem para 15 pessoas? E as 15 que recebessem pensariam que acredito em deus e Jesus, isso seria falso e comprometedor. Amigos desconfiando de minhas verdades ou querendo conversar sobre Jesus e deus (...).
leia a continuação em http://www.geracaobooks.com.br/colunistas/colunista.php?id=125
Escrito por porque escrever é preciso às 14h59
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Tive um sonho
E naquela manhã o céu era diferente. Olhei-me no espelho e me parecia igual. Mas a gente se vê como quer e pra quem olha é outra imagem. Tem o mundo de dentro e o de fora, as conversas pra fora e dentro. Para mim – como noutras manhãs – aquele homem não era o mesmo, nunca o mesmo, ainda que semelhante. Não lembrei que no dia anterior tinha escutado as notícias do mundo, muito menos as mágoas escondidas latejando nos cantos das bocas. Quase esqueci que, antes de ir embora, alguém não disse: sabe que te gosto muito? Interpretei como quis, talvez minha confusão possa trazer distorção aos diálogos, foi como daquela vez agora tão distante: por que você não vem pra cá? A gente tenta ficar junto, vamos ver no que dá. Não, não seria o deserto de novo, seria? Aquela história passou, sei que acabou por causa da primeira frase. O desenredo se estendeu até onde peles agüentaram, até que a visão do desenlace tomasse conta do sangue. A verdade.
Seria – agora - o medo criando raízes? Mas ontem tinha que ter acontecido outro diálogo, afinal ele sabe que a primeira frase é determinante. A voz de dentro teria dito outras palavras, preciso acreditar. E não: dá uma olhada nessa casa, eu divido com você, mas – você sabe – depois eu volto para lá, não é? Sempre sabemos que alguém vai embora primeiro. Nunca vi amantes se separarem porque sim, porque chegasse a hora natural, muito menos combinarem – deixaremos de nos amar ao mesmo tempo, tá? Um fica, o outro vai, e vice-versa, é sempre o mesmo enredo. Mas juro que escutei outra frase, a de dentro, a dizer: escuta, tenho vontade de ficar mais junto de ti, não sabemos tão ao certo, mas a ocasião é boa, quem sabe não dá certo? Pra falar a verdade, não tinha a negativa ao final da frase, que mania de usar o não na afirmação! ‘não, acredite, estou dizendo a verdade’. Ou o titubear, o quem sabe, o talvez, o vamos tentar. Estamos sempre tentando, não é preciso repetir em busca, em busca, em busca. Não é preciso jurar nada, não existe para sempre! Mas, por outro lado, não é preciso falar sobre as dúvidas na hora de lançar fiapos de certezas. Ainda mais quando já se assistiu amores morrerem, ou quando - vira e mexe - respingam entre lágrimas, não é preciso pronunciar o incerto evidente. Não é preciso dizer que não se sabe quando o saber virá com o tempo.
Aquela manhã tinha outra luz. Cortinas sem ranhuras. Ela acordou e disse a verdade até aquele ponto, que seja eterno enquanto dure, ele também. Não precisaram levantar suspeitas ou medos sobre o amanhã, porque a manhã era diferente, eles sorriram e não deram importância aos fantasmas. Viveram, simplesmente.
Escrito por porque escrever é preciso às 01h36
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