Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, Arte e cultura, Cinema e vídeo



Histórico
 11/11/2007 a 17/11/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 23/09/2007 a 29/09/2007
 12/08/2007 a 18/08/2007
 29/07/2007 a 04/08/2007
 22/07/2007 a 28/07/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 08/07/2007 a 14/07/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 11/03/2007 a 17/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 18/02/2007 a 24/02/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 24/12/2006 a 30/12/2006
 17/12/2006 a 23/12/2006
 10/12/2006 a 16/12/2006
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 05/11/2006 a 11/11/2006
 29/10/2006 a 04/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 08/10/2006 a 14/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 27/08/2006 a 02/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 13/08/2006 a 19/08/2006
 06/08/2006 a 12/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 23/07/2006 a 29/07/2006
 09/07/2006 a 15/07/2006
 02/07/2006 a 08/07/2006
 18/06/2006 a 24/06/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 28/05/2006 a 03/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 14/05/2006 a 20/05/2006
 07/05/2006 a 13/05/2006
 23/04/2006 a 29/04/2006
 16/04/2006 a 22/04/2006
 26/03/2006 a 01/04/2006
 19/03/2006 a 25/03/2006
 12/03/2006 a 18/03/2006
 05/03/2006 a 11/03/2006
 26/02/2006 a 04/03/2006
 19/02/2006 a 25/02/2006
 12/02/2006 a 18/02/2006
 05/02/2006 a 11/02/2006
 29/01/2006 a 04/02/2006
 22/01/2006 a 28/01/2006


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Brinde Sulfúrico
 Naiman
 Fábio Metzger
 VoceeoqueVoceOuve
 Suburbano Convicto
 Lelê Teles
 Café d'avó
 Pya Lima
 Naja Cuspideira
 blog da Eliana Castanho
 Site Geração Editorial
 Artur CarNavalha Gumes
 Joana Flor
 Girasonhos
 Juliana Amato
 Vanessa Aragão
 Tiago Feliziani
 Bruta Flor do Querer
 SemPontoFinal
 Olympio de Azevedo
 Fernando Chuí
 Pablo Nacer
 Fotos Felipe Baenninger
 Imã Foto Galeria
 BANGA BligBlogBlug
 Digestivo Cultural
 Ana Claudia Calomeni
 Bia Clark
 Eliana Castanho Sonhos Sonhados Acordados
 Paulo Ito Fotolog
 Antijornalismo
 Elaine Grecco
 Luciana Penna


 
PalenaDuran


Sobre as coisas belas, sujas e feias

É que eu caminhava tranqüilamente por um domingo, a caminho de casa, pensando na falta de surpresas, por ruas estraçalhadas, cidade escangalhada. Esse olhar ora tristonho, ora esperançoso, ora risonho, imprevisível, inconstante como o clima. Singelo final de tarde em São Paulo, dia de encontros familiares, pais e filhos, casais de mãos dadas, namorados e trabalhadores operários voltando para casa. Embora minha costumeira melancolia dos domingos, principalmente os azuis, também desejava não pensar em nada e sobre nada refletir.

Fiquei assim vagueando em palavras repetidas de dúvidas e talvez até a quarta-feira, ao ligar a televisão. No programa Apito Final, moribundos homens do futebol declaravam a ressaca da estréia da seleção na copa, de fato um a zero contra a Croácia foi pouco para tamanha parafernália. E bem na hora do jogo tinha de acontecer o maior trânsito em São Paulo? Eu e L. perdemos o primeiro tempo dentro do táxi branco, assistindo rostos de pessoas mordendo os lábios, fantasiadas e tensas nos carros, nas ruas, reunidas em torno de pequenas televisões nos pontos de táxi, bares, bancas de jornal, ou presas nos ônibus lotados a escutar pelo rádio como nós. Houve silêncio concentrado, até a loira menina - empunhando a bandeira do Brasil - postar seu corpo liso pra fora do carro à nossa frente, rindo divertida. Querendo aparecer, rindo de quê? Eu estava desolada, impaciente, afinal era a estréia, puxa vida! (...).

e a continuação em http://www.geracaobooks.com.br/ 



Escrito por porque escrever é preciso às 10h10
[] [envie esta mensagem]



 

Quando acaba o amor?

O amor acaba quando se pede de volta aquele quadro que um dos dois não olhava, no domínio sobre o vencido. No grito oco. Quando morrem as plantas que ficaram na velha casa, quando notamos as primeiras manchas nas paredes, naturalmente os adornos se quebram, e o telefonema não pede que se volte logo por saudades. Quando nos ocupam as lembranças de esquecimentos distraídos, quando nos ocorre que poderia ter sido diferente, sim, porque éramos vastos. Quando a sensibilidade se concentra na mágoa e numa coisa que não se sabe de onde vem, nunca se viu e nem é bem isso. Quando se assiste a espetáculos mesquinhos e desordem no universo do que foi. Teria sido? Ou quando o olhar se perde nos desenhos de uma tábua de cozinha, a mesma onde foram preparados tantos almoços, jantares, vinho derramado em conversas amenas.

O amor acaba na fissura. Quando não se sabe quem está a viver aquela tarde do sábado, de quem são as pernas que a esmo caminham, ou os braços que carregam ponteiros do relógio de certa igreja matriz. Por que vivo nesta cidade? E a língua é o sino metálico sem corda pra badalar. Quando se é cera de vela, ou alguma figura geometrizada, soturna e em fundo escuro de Caravaggio. Embora sem o mesmo ritmo, relevo ou admiração pelos entes da natureza. Menos Dionísio, mais farsa e tragédia. Quando não se tem mais nada a extrair das estátuas clássicas, do amor romântico, ou dos mitos romanos do homem heróico. Quando não conseguimos nos separar da condição humana, fincados que estamos, e daqui não se vai com o vento. Quando se é cigano e prostituta. Ou terra com gosto de ferrugem. Tanto faz tudo, podem morder ou retalhar porque o sangue se foi, caveira sem advertência. Quando se cai em vertigem e um silêncio incômodo zune, amortecido ao que os ouvidos pedem e das vozes não se escuta. Quando se toca sem pegar e é preciso reaprender formas e conteúdo. Quando se procura nos manuais o quê comer, como se proteger do frio, em qual parque passear com as crianças, como recuperar os desejos e reorganizar os afetos. Quando se está em despedida e saudações soam brutais como a luz do dia, é noite gelada e chove fino. Quando protagonizamos os velórios, os ritos e refúgios em sacrifício. Quando lenta morte nos entra para re-construir o passado, e o viver não tem mais a divindade dos sentimentos exagerados. E quando.



Escrito por porque escrever é preciso às 13h32
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]