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Salve, salve!

Amigas e amigos, hoje teve estréia de Palena Duran como colaboradora no site da Geração Editorial!!!

Visitem, leiam, saibam dos títulos e lançamentos da editora Geração (link ao lado).

http://www.geracaobooks.com.br/ 



Escrito por porque escrever é preciso às 23h25
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To someone, maybe

Hoje dou entrada no IML. A dúvida chega oleosa como o cheiro de cabelos úmidos depois da chuva ácida. Mas é claro que não deveria romper a ordem das grandezas e não dar importância às pequenas coisas, causas. O que eu fazia há mil anos atrás? Capturava vidas. Pessoas. Some people never change. They’re innocents, baby. Inocência é uma sensação que passa. São três da tarde e hoje não tenho culpa, o vinho que bebo não é sangue, mas tenho melancolia nos pés. Leio A Casa do Incesto, de Anaïs Nin, para conferir o sentido da prosa poética. Mas, então, não vejo como ou pra quê. Por que poesia ou prosa? A quem interessa, qual será o público leitor? É vendável? Não, claro que não. Pessoas querem deixar suas marcas no mundo, o futuro, fotografias, árvores, filhos, livros, páginas da vida. Tenho lido textos de supostos escritores iniciantes e constato que a maioria quer justificar sua ‘obra’, dizer a quê veio, pra falar o quê exatamente. Mas não precisa, escrever é escrever, preciso e impreciso, o mais é ser lido ou não. Outro ponto são os recorrentes diálogos com deus, a busca de deus como explicação para a divindade da vida. Viver é divino? Qual é a mágica do viver? Viver, simplesmente, e caminhar como semi-deuses que somos. Há certa pressa em qualificar o ser, porque SER é preciso. Assim se ultrapassa o existir. Justo, muito justo. Mas a busca frenética é por ‘ser alguém’, ou algo assim. Tanto faz ser cavalo, carro ou gente, o importante é ser vencedor, venceu o imaginário do loser or winner. Quando no mesmo momento em que se busca e se deseja ser já se é, estando.

I couldn’t say I’m a winner, but am I a loser?

Estou aqui, do lado esquerdo do mapa mundi. Meu lugar é tropical, temos sol e muito abandono. Ainda dá tempo de desistir, pense bem. Sim, os contratos podem ser desfeitos e as juras não são eternas. Um dia te gosto demais, noutro gosto de menos. Por isso não juro, esconjuro. Deve ser o descompasso. Acordei amando-te, no te enamores de nadie. Como ele pôde escrever aquilo, tão doce, tão menino? Como pudeste escrever sobre uma língua nos olhos a beber sal!? Isso fere a poética dos dias, não se brinca com a palavra amor. Sinto náuseas de amores e ciúmes antigos, vou trancar os afetos, varrer a ternura e tudo o que foi dito e escrito. Se ninguém é de ninguém, por que dizíamos ‘teu’, ‘tua’? Força de expressão, foi isso, apenas para dizer o quanto se estava. Embora ainda não seja, ou fosse, porque SER é outra coisa. Palavras a gente diz e desdiz, ora são, ora não, passarão. E eles passarinho! Ah, meu bem, quando sinto tua falta fico vazia de mim. O desgosto vem no trago da fumaça. Se ao menos tivesse alguma reunião agora. Ultimamente as reuniões têm sido comigo, então estou cansada dessas conversas repetidas de mim. Devíamos ter o direito de nos separarmos de nós. Esquece a sombra de cara branca, o jeito de falar do corpo, a glória da presença. Enquanto isso esquecerei de lembrar que tenho na língua as tuas maneiras. Finge que sou uma samambaia.



Escrito por porque escrever é preciso às 13h36
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