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PalenaDuran


Ainda mora brisa na varanda. A urbanidade nos deixando pétreos, soldados romanos a postos. Mulheres e homens em ataques e defesas. Guerreando sobre o quê mesmo? Contra os inimigos da vida? Às vezes não é bem isso. Então voltemos ao sol. Voltemo-nos à natureza das coisas, juntos, por favor. Estamos bastante deformados para sermos sozinhos desse jeito. A cidade frenética não permite o inspirar, respirar, descansar. Puxar luzes de todos os cantos e olhos esbugalhados se esbarram sem olhar. Acenda uma vela, provoque a calma, perfume o dia, cante uma canção pra fazer crianças e adultos sorrirem. Inunde de esperanças a secura do asfalto. É possível reinventar o amor, escutar dialetos sem imagens, sentir na alma o gosto da fruta aberta, abraçar um corpo quente nos gelos das incertezas. Beijar as costas de um menino no oceano atlântico, índico, e estar pacífica em prazer.



Escrito por porque escrever é preciso às 14h48
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Sôo

Esconderijos

Entrego lampejos

Empino braços

'Quem entrou na roda foi uma boneca...'

A foto sim

Dante o inferno

Devolva minhas cartas

Rasgue as dedicatórias

Tire-me daí

 

Retornamos

Eu e o porta-retratos

No porão da infância

Não posso com tanto cheiro

E as mãos seguras?

Silencio o suor

Sentencio o beijo



Escrito por porque escrever é preciso às 13h47
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Deixo aqui algo que escrevi como justificativa do projeto-movimento Quebrando Muros, grupo que venho coordenando, para que todos tomem conhecimento desta iniciativa a ser lançada oficialmente dentro em breve. Segue abaixo link da matéria de Gilberto Dimenstein no jornal Folha de S. Paulo (de hoje), na qual se comenta o Q.M.

Esperem e verão!!!

Saudações camaradas,

Palena Duran

QUEBRANDO MUROS

A condição humana nos coloca igualmente responsáveis por cumprir uma trajetória de vida, assim como a revelar nossa singularidade no exercício da construção da identidade. Desta maneira nos fazemos únicos, com direito a sermos diferentes. No entanto, algumas diferenças ocorrem por situações sociais, culturais, políticas e econômicas adversas, afastando de alguns indivíduos a possibilidade de interferência para a recriação da realidade. Porém, a História comprova que quando nos juntamos nos fazemos fortes, e consolidamos grupos, movimentos, iniciativas coletivas de transformação em nome de uma vida plena, com qualidade, e do acesso aos Direitos Humanos.

Até hoje temas como infração penal, dependência química, violência doméstica, abuso sexual infantil e adulto, entre outros considerados fora dos parâmetros sociais, são assuntos tabus. No âmbito das pesquisas das ciências humanas o tratamento mais comum é colocar tais pessoas como objetos de pesquisa, no papel de 'outros', diferentes de ‘nós’, ocultando as origens históricas e sociopolíticas de tais temas. Um exemplo da 'patologização' que se confere a esses assuntos é o fato de estudos em torno da delinqüência juvenil privilegiarem a pergunta pelo que produziu a entrada na delinqüência, seus determinantes, sua instalação na 'carreira de delinqüente'. Ao invés de se perguntar o que faz o jovem sair, ou sobre como um adolescente pode transitar por essa vivência – o ato infracional – sem que isso lhe grude à pele; visão que se estende a mulheres e homens que cumpriram ou cumprem medidas prisionais. Encarar tais questões como sendo comuns à sociedade, ou seja, assumir que se colocam no mesmo espaço de vida de todos os cidadãos que convivem e se relacionam nas ruas, no trabalho, em família, em espaços públicos de lazer etc, é um grande desafio.

Em nossa sociedade certas trajetórias de vida se dão ‘dentro dos padrões estabelecidos’, e outras, diferentemente do esperado, são marcadas por situações limite: uma doença grave, acidentes comprometedores das faculdades físicas e/ ou mentais, passagens de conflito com a lei, pelo alcoolismo e uso de drogas, e a situação de rua. Nestes casos, o que se constata é o despreparo para lidar e conviver com tais realidades, e o que mais se nota são os atos de exclusão, a negação do exercício da diferença, a condenação àqueles que têm passagem por universos que não se domina completamente. Podemos tomar como exemplo o desamparo das mulheres dependentes químicas, que possuem mais dificuldade para declarar sua dependência e pedir ajuda, e estão inseridas num universo em que 90% das casas de recuperação e/ ou tratamento são para homens. E se nos aprofundarmos, temos na condição da mulher mãe dependente química ou ex-presidiária a falta de tratamentos de reabilitação assistida, com acompanhamento integral a ela e aos filhos, o abandono da família e do cônjuge, e a situação de rua que pode se gerar. Em última instância, aos dependentes químicos, ex-presidiários, ex-moradores de rua, e outros saídos de situações limite, é conferido o espaço do não. Seja pela falta de aparatos sociais e clínicos no processo de ressocialização, o não acolhimento, a não presença e/ ou falta de políticas públicas para o desenvolvimento de competências, habilidades e oportunidades de trabalho, como pelo preconceito e discriminação aos que estão 'fora da normalidade'. Desta maneira, é possível afirmar que a sociedade elabora procedimentos de segregação visíveis e invisíveis no tratamento de alguns seres humanos (...).

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0803200608.htm 



Escrito por porque escrever é preciso às 12h31
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