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Ph Eliana Castanho
Mudei. Não sou mais aquela, assumo a outra. Pintei os cabelos, troquei o telefone – não o número, mas o aparelho. Ando no meio da rua para não esbarrar com algum velho conhecido na calçada, porque antigamente costumava ser doce. E quando preciso for vôo no sentido contrário e no pescoço certo. Hoje bebo e converso sem compromisso até às seis da manhã, com ou sem segredos na hora de dormir – falsifico - me - falsifico. Chego à tranqüilidade, quase plácida, e alguém diria otimista. Intimista? Olha, só nas horas vagas, conforme as coisas no tempo. E por falar em mentiras chama-me de Teresa. Coisa tesa. Acesa. Sobre a covardia? Do Brasil nem se sabe, quando se renasce e toma-se tanto soro, renova-se, escutam-se venenos em alto volume. Pétrea. Comportamentos clássicos de segunda linha vieram ao meu encontro, mas não há de ser. O primeiro pulsar se foi, o segundo e o terceiro também. Assim disse o poeta, um santo gritou sonhos a viver pesadelos.
Escrito por porque escrever é preciso às 19h52
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